2.5.13

Afinal foi feriado ou não?



Quando era pequena, e vivia em Portimão, os feriados tinham significado, mais do que vividos, eram vivenciados por nós. O Dia 1 de Maio, por exemplo, estava sempre associado a dia de ir ao campo piquenicar. Aliás, nós costumávamos juntar um grande grupo de família e amigos, em Sagres (eu sei não é campo, não é campo, mas é mar selvagem e tem pinhal, e cheira bem, a ervas e a flores, logo é quase campo, pelo menos para mim!) e desembrulhavam-se as mantas, abriam-se as caixas e começavam a aparecer as iguarias, especialidades das casas de cada uma das cozinheiras.

A minha mãe costumava levar carapaus alimados e uma torta de amêndoa coberta com ovos moles e fios de ovos!

Passávamos lá o dia, porque depois de partilhar as refeições entre histórias e gargalhadas, havia cantorias, ora fado, ora canções populares alentejanas, que isto de algarvios, alentejanos e cães de caça... já se sabe... é tudo gente da mesma raça!

Nós, miúdos, brincávamos às escondidas, jogávamos às cartas, e eles, os mais velhos, acabavam sempre por dormir a sesta, deitados nas redes de baloiço, que penduravam nos pinheiros. Era bom, era alegre, sabia a férias no meio das aulas.

E as lojas? Essas estavam fechadas, todas fechadas, até os restaurantes e cafés estavam fechados. Era difícil arranjar uma porta aberta para beber um café, ou comprar umas rolhas de Maio. Se as queríamos, tínhamos que ir de véspera, porque dia do trabalhador, não se trabalhava.

Mas agora não. Ontem vi algumas lojas de rua abertas.
Sinal de progresso, de teimosia, de esquecimento do feriado, ou porque é preciso manter a porta aberta para agarrar os clientes que teimam em não abrir a carteira?

Seja qual for o motivo, eu fiquei contente, porque só assim consegui ir pessoalmente dar um beijinho de parabéns à minha amiga Maria João, que em menos de um ano após ter sofrido na pele, já com 50 anos (desculpa Joãozinha, não sei se querias que se soubesse a tua idade...), o golpe das reduções de funcionários (eufemismo utilizado atualmente para o despedimento), agarrou uma oportunidade e aventurou-se no seu próprio negócio, na passada 2ªfeira - a retrosaria Maria Cenoura.





Se a Mª João não tivesse decidido abrir as portas ontem de manhã, não sei quando é que eu poderia ir vê-la, ali na linha de Sintra.
E é disto que Portugal precisa, não é? Arregaçar as mangas sem medo de arriscar!

E vocês, por onde andaram ontem?

10 comentários:

  1. Toda a sorte do mundo para a Maria João! Que os ventos de bonança se façam sentir por esses lados, seguidos de uma ventania de sucesso!

    Um grande bem haja!

    Quanto ao dia de Maio:
    Pic nic pela serra com passagem obrigatória por Olhão e arredores para ver "Os Maios" à beira da estrada. Saudades desses tempos...

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  2. Olá Sofia... os poucos anos que vivi no Algarve, deu para exprimentar um bocadinho do que acabou de referir neste post... Afinal por esta altura, já faz um calorzinho que apetece picnicar, comer carapauzinhos alimados....o bolo do tacho....e as famosas rolhas... hummm que saudades Aqui por estas bandas, (suiça) não temos sol, calorzinho.. e esse maravilhoso cheiro a pinheiros Aqui o 1° de Maio não é feriado... apesar de algumas empresas darem o dia aos empregados (mto poucas).... Parabéns à Maria Cenoura pela coragem... e que tudo lhe corra pelo melhor! um beijinho

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  3. Gosto dessa raça!
    E essas rolhas...

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  4. Obrigada a todas pelas palavras de carinho e incentivo e a ti, SofiaAnjodaGuardaAlgarvia, que te posso dizer?! Apenas que tu foste um dos "empurrões" (forte) para o meu mergulho num futuro desconhecido em que nadarei contra todas as correntes para atingir bom porto.
    Ah! E és uma querida, mas são mesmo 51 :-D
    Obrigada Amiga - adoro-te

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  5. Decididamente estamos sempre a aprender.
    Sou Algarvia de gema, passei os Verões da minha infância em Lagos, as férias da minha adolescência foram passadas entre Porches, Lagoa e Praia da Rocha.O fim de semana passado passei-o na Ingrina na Salemae e em Lagos, acreditas que nunca tinha ouvido falar nas "rolhas de Maio". Ou sou muito distraída ou então chamo-lhes outro nome.

    Uma coisa percebi doces são com certeza mas és capaz de me explicar melhor? agora fiquei curiosa.

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  6. Tal como tu também tenho a recordação das lojas do comércio todas fechadas.
    Mas na minha família não fazíamos piqueniques. Basicamente aproveitávamos o feriado para ir a casa dos meus avós em Aljezur! Estou como a Ana V., não sei o que são rolhas...

    Para a Maria Cenoura, tudo de bom neste projecto! E por mim já ganhou por ter arregaçado as mangas e ter seguido algo que queria mesmo muito fazer. Se houve essa coragem, haverá certamente sucesso ao longo do caminho!

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  7. Curioso! No feriado disse exactamente o mesmo! Quando vivia no Algarve (eu em Loulé) o 1.º de Maio era sempre dia de piquenique, adorava o dia porque adorava apanhar flores! E que saudades tenho de carapaus alimados! Ultimamente não tenho falado noutra coisa! Tenho de me aventurar!

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  8. As minhas memórias do 1 de Maio são idênticas: tudo fechado e um dia de lazer. Iamos sempre para um pinhal, fazer piquenique e passar por lá o dia. Também levávamos as redes para fazer a sesta! Havia churrascos colectivos e até bandas a tocar música… era tão bom!

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  9. Este ano não passei o maio no Algarve, onde por norma, não dispenso uma caracolada. Tive uns dias de férias e no 1º de maio estive no Porto e em Aveiro.

    Sucesso para a Maria Cenoura

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  10. Tao bom encontrar gente da " terra" ainda por cima cheia de talento :)) quero muito conhecer a retrosaria pois precisamos de pessoas como a Cenoura ;)) *

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Se estás aí, diz qualquer coisa, sou curiosa, gosto de saber o que pensas.
Bj