4.4.12

Tentativa de Folar de Olhão (ou da Avó Rosa)




Nota: Em primeiro lugar tenho que dizer que, como não tinha a minha máquina fotográfica operacional, estas fotografias foram tiradas com o telemóvel, por isso é que estão assim... uma bodega!

A minha Avó Rosa (avó materna) era uma excelente cozinheira e doceira. Viveu em Olhão quase toda a sua vida e aprendeu a fazer o Folar de Páscoa à moda daquela terra. É um bolo que nós sempre gostámos muito e tivemos sempre pena de não ter ficado com a receita dela.

Durante a minha infância vi-a fazer provavelmente centenas deles, portanto sei como se faz (ou pensava que sabia...) mas não sabia as doses certas. Este fim de semana lembrei-me dela, lembrei-me dos folares e resolvemos abraçar a obra. Pesquisei receitas na internet e acabei por adoptar aquela que me pareceu mais próxima do original. Querem tomar nota?

Usei estes ingredientes e fiz 3 folares pequenos:
1 kg farinha de trigo
60 g fermento de padeiro
130 g de banha de porco
250 g de manteiga
1 cálice de aguardente
Sumo de 2 laranjas (eu só tinha uma cá por casa, juntei um pouco de limão)
Açúcar amarelo (gastei quase um kilo com os 3 folares)
Canela

Junta-se a farinha com a banha, com metade da manteiga, o cálice da aguardente, o sumo das laranjas e o fermento (que se desfez num pouco de àgua morna) e amassa-se muito bem, até a massa estar macia, elástica e sem se pegar às mãos. Quem o faz manualmente indica que deve amassar pelo menos durante 10 minutos. Eu coloquei os ingredientes no robot, com o utensílio indicado para massas de pão, durante mais de 5 minutos.

Unta-se abundantemente o fundo dum tacho de metal pequeno (o meu tem 16 cm diâmetro) e os lados, com manteiga. Coloca-se uma camada generosa de açúcar amarelo e canela no fundo do tacho e começamos a tratar da massa. Fazem-se bolas de massa com dimensões idênticas, que são estendidas com o rolo da massa formando círculos do diâmetro um pouco menor que o do tacho. Os círculos são besuntados com a manteiga dum lado e do outro e são colocados no tacho alternadamente com camadas generosas de açúcar e canela até ficar a uns dois a três cms da altura do tacho.

Coloca-se o folar a levedar no forno durante uma hora a 50ºC. Quando terminar, aumenta-se o forno para entre 180 a 190ºC e coze durante outra hora.
Quando estiver pronto deve ser desenformando de imediato (vira o tacho ao contrário para cima de um prato), porque se arrefecer, o açúcar fica rijo e agarra-se às paredes do tacho impedindo-o de sair.

Resultado:
Fizémos o primeiro ontem à noite (primeira foto) e, como me esqueci da primeira camada de açúcar e canela no fundo do tacho, ele ficou clarinho e quase sem calda e queimou ligeiramente o topo (que passa a ser o fundo)...
O segundo (segunda foto) foi feito hoje às 6h30 da manhã (por isso é que 'tou com xono...), levou muito mais açúcar, mas não teve o tempo todo a levedar, ficou muito mais pequeno e agora à tarde quando cheguei a casa, o açúcar estava muito duro...
Neste momento está o terceiro no forno, o que sairá dali?

Quero vêr os vossos resultados, mostram?

7 comentários:

  1. Olá!!!Deu ao menos para matar saudades do belíssimo folar da minha tia Rosa.Bjnhs Ana Sofia e vai tentando mais vezes...

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  2. Eu aprendi a fazer os folares habituais com ovo. Mas este ano não vou fazer... apesar de ter o forno de cozer pão para isso, não vai haver folarada... snif snif!

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  3. Obrigado pela partilha;) Se a família alinhar, vamos todos para a cozinha!
    Bjns e boa Páscoa;)

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  4. Bem... eu adoro o folar tradicional da Páscoa que se faz cá no norte, por mim comia-o o ano todo torrado com manteiga (já estou a salivar!), mas este também deve ser maravilhoso!!! Obrigada pela partilha da receita, vou ter de experimentar!!

    Beijinhos,

    Maria Leonor

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  5. Realmente quando queremos uma coisa ela vem-nos parar às mãos! Também sou algarvia (de Loulé), mas moro em Mafra. No passado fds fui até lá e corri tudo à procura deste tipo de folar, a sra que os fazia muito bem fechou a pequena fábrica que tinha. Agora através da Margarida descobri o teu blog com o folar e o bónus da receita! Muito obrigada pela partilha! Tenho de experimentar para matar saudades. A sra onde costumava comprar estendia a massa e punha o açúcar e a canela e enrolava, depois de cozido, quando se cortava ficava "raiado" de canela caramelizada! Continuação de bom trabalho. Vou passar a ser seguidora para receber notícias do sul!

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Bj