Chegavam uns dias antes para preparar a ceia e era uma ajuda preciosa a da Avó Rosa. Sempre que penso em Natal, a imagem que dispara aqui no canto mais arrumadinho da minha memória, é a da minha Mãe e a minha Avó a tenderem a massa para fazer as trutas ou azevias de batata doce. No dia 23, eu deitava-me e a bancada da cozinha enchia-se, por magia, de pastéis... de dúzias de pastéis... de centenas de pastéis. Na manhã seguinte ao acordar, já se sentia o cheiro a fritos com açúcar e canela. Já os duendes, Mãe Irene e Avó Rosa, tinham passado algumas horas a ultimar aquelas gulodices.
Depois passávamos o dia 24 na distribuição dos mesmos: na casa dos padrinhos, dos vizinhos, dos primos, das comadres, um pouco por todo o lado, ficavam os mimos lá de casa.
Hoje já não fazemos azevias, faltam-nos as mestras... mas continuam a fazer parte da nossa mesa de Natal e a saber-nos bem.
E com esta "modernice" da patchwork family a que o destino me fez pertencer, o Natal passou a ser repartido em 3 actos, muda apenas o cenário e o calendário em consonância com a presença dos filhotes.
Este ano foi assim:
Acto I
Noite de 24 - com crianças e em Portimão
A minha mãe passou a fazer uma receita usada pela minha avó Rosa - leva bacalhau, cebola e alho, tomate, batata frita às rodelas finas e bechamel por cima para gratinar. Uma delícia! Foi a nossa emancipação! Adeus, couves!
Quando era pequena, para ocupar o tempo antes da abertura dos presentes, jogava batalha naval com o meu Pai. Desta vez, dividimo-nos por equipas e estivemos todos a jogar Trivial Junior!
Amanhã conto o Acto II...

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Bj