Talvez por isso eu também seja um pouco rabiteza, como diz a minha Tia Rosinda, mulher do Sul e além mares - vive no Canadá há muitos, muitos anos, ainda eu não tinha nascido e ela já lá vivia. E eu já tenho 37! :)
Hoje falo um pouco desta minha família. Porquê?
Porque estão longe... porque gosto muito delas... porque as vejo pouco... porque soube hoje que se reunem e se alegram ao ler as minhas palavras... porque hoje também soube que nem tudo são Rosas do outro lado do Atlântico... porque hoje há uma Mãe que teme pela saúde da filha...
Por tudo isto, hoje o post é vosso!
E vou aqui partilhar momentos bons.
Começamos pela mais velha: A minha bisavó Maria Rosa, a Avó Miosa para nós, os bisnetos. Com mais de 70 anos, já viúva, viveu uma grande aventura: foi de avião para o Canadá e lá viveu em casa dos 3 filhos durante uns bons anos! Imaginem o que terá sido para uma avózinha, habituada a estar no campo e sempre no seu Algarve, entrar num avião e ao fim de umas horas, estar num país completamente diferente do seu. Uma verdadeira loucura, calculo!
A avó Miosa teve 4 filhos e 2 filhas: a minha Tia Rosinda e a minha Avó Rosa. Tão parecidas como diferentes!
Eu explico.
A minha Avó Rosa, a mais velha dos irmãos, e mãezinha de alguns deles, era uma cozinheira de mão cheia, perita em doces, que saudades que eu tenho do teu Folar de Olhão e dos D.Rodrigos. Só aprendeu a ler aos 50 anos! Na sua infância não havia muitas meninas a "ir à escola", como ela dizia. Mas isso nunca foi impedimento para arranjar trabalho, juntar dinheiro e conseguir que a filha (a minha Mãe) viesse estudar para Lisboa e dar-lhe a grande alegria de se licenciar.
E tinha uma forma de rir muito engraçada. Começava por sorrir com os olhos, com ar maroto, de repente toda ela tremia, para cima e para baixo, como se fosse feita de gelatina e depois lá vinha o riso mais aberto, que quase não emitia som, mas que a fazia chorar de tanto rir e a nós só de a observar.
A minha Mãe era uma excelente professora de Inglês e Alemão, que sabia cativar os alunos. Connosco inventava canções para os percursos parecerem mais curtos, arranjava jogos e concursos para nos distrairmos nas 3h de comboio Portimão-Olhão. Aprendeu a lançar o pião só para poder ensinar o meu irmão.
Chamava-se Irene, Lili para alguns amigos, Airine ou Tareca, para o meu Pai.
Para nós era Mãe, Mã-e, Mãããã-eee, Óh, Mãe!
E agora já não podemos chamar por ela...
A minha Tia Rosinda, mais nova que a Avó Rosa, teve outro tipo de estudos. "Arranhava" o francês e, com o marido e os filhos pequenos, arriscou a vida no Canadá. Mas não se deixou enganar, nem que lhe pisassem os calos, ainda hoje não deixa! Não é, Tia?
Vem cá todos os anos passar o Verão e é tão bom abraçá-la: é um pouco de Avó Rosa, de Avó Miosa e de Mãe Irene que eu sinto quando a vejo.
E por fim a Candinha, a minha prima.
Quando eu era pequena, ficava fascinada cada vez que ela e o irmão chegavam para passar o Verão, falavam português, mas traziam roupas diferentes. Eram muito mais altos do que eu, porque também eram mais velhos e traziam t-shirts e guloseimas, muito diferentes daquelas que nós tínhamos.
A Candinha mudou de profissão já depois dos filhos crescidos, voltou a inscrever-se na faculdade na mesma altura que a filha e já se voltou a licenciar, desta vez em Design de Interiores! Tem receio de ir a Las Vegas e Miami porque acha que vai haver um earthquake, precisamente no momento em que ela descer do avião, mas Hoje é a mulher com mais coragem que eu conheço -capaz de enfrentar qualquer doença!!!
Venha ela, que nós estamos cá para a derrotar, you will see!
Deixo algumas fotos dessa visitas ao Algarve em 1973.